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sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Audiência Pública reforça urgência na antecipação da duplicação da BR-277 na Serra da Esperança


Na noite desta quarta-feira (26), foi realizada em Guarapuava a audiência pública que discutiu a antecipação das obras de duplicação da BR-277 no trecho da Serra da Esperança. O encontro foi promovido pela deputada estadual Cristina Silvestri (PP), em conjunto com o deputado estadual Fabio Oliveira (Podemos).

Cristina Silvestri abriu a audiência destacando que a antecipação das obras é “urgente, necessária e histórica”. Ela lembrou que, no último contrato de pedágio, trechos da BR-277 foram duplicados em outras regiões do estado, enquanto justamente o ponto mais perigoso e estratégico, a Serra da Esperança, ficou de fora.

A deputada apresentou dados, estudos e análises que apontam para a urgência de uma intervenção definitiva. Entre eles, a pesquisa da geógrafa Solange Vieira (UFSC), que mapeia áreas suscetíveis a movimentos de massa. O estudo mostra que desníveis, declividades acentuadas, fragilidade das rochas e intensa exposição a chuvas tornam o trecho altamente vulnerável a deslizamentos e quedas de bloco.

Ela também citou o trabalho do geólogo Wellington Barbosa (Unicentro), que monitora a região com uso de inteligência artificial para identificar áreas de risco geológico. Em vídeo apresentado durante a audiência, o geólogo explicou que utilizar a estrada antiga como alternativa para a duplicação não é adequado sob o ponto de vista geomorfológico: “A estrada nova foi construída porque a antiga não apresentava segurança. Hoje ela serve para moradores e ciclistas, e levar um fluxo intenso para lá traria problemas muito grandes.”

Outro elemento apresentado foi o projeto elaborado na concessão anterior, que já conta com estudos ambientais, geomorfológicos e de engenharia para a construção de um viaduto, solução prevista para o trecho, demonstrando que há base técnica suficiente para orientar o início da obra.

O deputado Fabio Oliveira ressaltou que a Serra da Esperança é hoje um dos principais gargalos logísticos do Paraná, com impactos diretos para a economia e para quem trafega pela rodovia. “Cerca de 65% da produção do Oeste e Sudoeste passa por ali, são bilhões em grãos, proteína e produtos industriais forçados a enfrentar uma pista simples, sinuosa e vulnerável. Desde 2021, já foram mais de 40 acidentes graves e pelo menos seis mortes”.

Ele reforçou ainda a necessidade de antecipação do cronograma atual: “Nós precisamos que a duplicação aconteça antes de 2030, porque o trecho segue uma geografia acidentada e é sempre suscetível a quedas de barreira.”

A Polícia Rodoviária Federal também apresentou dados: entre 6 de novembro de 2020 e 6 de novembro de 2025, o trecho entre o Viaduto de Guarapuava e o Trevo do Relógio registrou 359 acidentes, 45 mortes e 403 feridos. Os números equivalem a um acidente a cada cinco dias, uma pessoa ferida a cada quatro e uma morte a cada quarenta dias.

O diretor do campus UTFPR Guarapuava, Marcelo Granza, contribuiu com informações sobre os potenciais impactos econômicos de paralisações da rodovia, a partir de estudo da USP (2023). Os dados indicam prejuízos na casa dos milhões, podendo chegar ao patamar bilionário. No cenário mais otimista, com 1h30 de paralisação média por caminhão e duração de três meses, o impacto estimado é de R$ 79 milhões. Se a situação persistisse por nove meses, o prejuízo poderia alcançar R$ 207 milhões.

REQUERIMENTO CONJUNTO

Ao final da audiência, representantes de sindicatos rurais, cooperativas, entidades empresariais e órgãos de segurança pública assinaram um documento que solicita a autorização imediata para que a Concessionária EPR antecipe o início da duplicação, com prioridade absoluta para a Serra da Esperança; a atualização do cronograma contratual, com prazos objetivos, etapas claras e mecanismos de acompanhamento social e institucional; e a consideração formal dos dados da PRF, dos riscos mapeados pela UFSC, das informações do projeto da concessão anterior e das sugestões das entidades presentes.

O documento seguirá agora para assinatura de outras instituições, empresas e transportadoras que dependem da rodovia. Em seguida, os deputados Cristina Silvestri e Fabio Oliveira farão a entrega oficial à ANTT, em Brasília.

A audiência marcou mais um avanço na mobilização política, técnica e social pela duplicação da Serra da Esperança, considerada essencial para a segurança viária, o desenvolvimento regional e a competitividade do Paraná.

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