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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Preço da mandioca despenca e vira problema para produtores do Paraná

Há dois anos a tonelada era vendida a R$ 550, agora é vendida a R$ 180.
Produtores acreditam que situação mudará se governo intervir no mercado.

Do G1 PR (Foto: Reprodução RPC)

Há dois anos o preço da tonelada da mandioca vendida no Paraná vem despencando. Enquanto em 2013 a tonelada da raiz era comercializada a R$ 550, em 2015 o valor varia entre R$ 180 e R$ 200. Segundo a Câmara Setorial da Mandioca, esse preço não cobre os custos da produção e desestimula os produtores. Por isso, o setor enfrenta uma crise que há muito tempo não se via.

Por oito anos os preços cobriam os custos da safra e ainda geravam lucro para o produtor. Em 2013, com a estiagem que atingiu as regiões norte e nordeste do Brasil, o preço da tonelada passou de R$ 300 para R$ 600 em oito meses, segundo divulgou a Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca.

De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), como não havia o produto nas duas regiões, a saída para as indústrias de lá foi comprar a farinha e a fécula de mandioca dos estados do centro-sul. Com isso, o Paraná foi o principal beneficiado. Além disso, foi a primeira vez na história que o estado transportou a raiz, sem ser beneficiada, para os estados do nordeste, segundo informações do Deral. Cenário positivo que estimulou os produtores a ampliarem a área plantada e fecharem contratos com preços acima do mercado.

Mas, com o fim da estiagem nas duas regiões, os produtores das regiões norte e nordeste voltaram a plantar e o preço da tonelada da raiz começou a despencar. “O Paraná perdeu o principal mercado consumidor, o nordeste. Além disso, o setor industrial consumiu pouco no ano passado. E com menos absorção do produto, os agricultores que investiram estão enfrentando dificuldades desde 2014”, explica o técnico do Deral, Metódio Groxko.

De acordo com Câmara Setorial da Mandioca, o Paraná está colhendo a mandioca plantada ainda em 2013, em um período que os contratos de arrendamento de terras e de mão de obra foram fechados a preços altos, e o produtor ampliava as áreas plantas esperando receber os mesmos lucros de dois anos atrás.

Pressão dos produtores
E como há muita oferta do produto, as fecularias ofereceram preços ainda mais baixos e revoltou os produtores. Há duas semanas algumas rodovias do noroeste do estado e entradas de fecularias foram fechadas por agricultores para pressionar o aumento de preço da tonelada da raiz.

A pressão resultou em um acordo para estabilizar os preços, mas de acordo com o presidente da Câmara Setorial da Mandioca, Ivo Pierin Júnior, o acordo não garante que cenário vai melhorar.

“O governo federal precisa intervir no setor. O mercado não tem como absorver todo o produto disponível. Precisamos que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) defina o preço mínimo da tonelada e o governo nos ajude a buscar alternativas para a venda”, argumenta o presidente.

O setor defende que o governo compre parte da produção e insira o produto na merenda escolar, nas cestas de alimento destinadas às famílias de baixa renda e também estoque uma parte para regular o mercado quando houver falta da raiz. Além disso, os produtores pedem que o governo federal libere empréstimos com juros mais baixos e maior prazo para o pagamento das dívidas.

“Nós queremos exportar a fécula e a farinha de mandioca para países da Europa, África e para os Estados Unidos, porém o nosso preço não é competitivo. Precisamos da ajuda da União para conquistarmos novos mercados. Sabemos que muitos países estão dispostos a comprar o nosso produto, mas não temos o preço que eles [países] desejam”, explica o presidente da Câmara Setorial da Mandioca.

Mudanças emergenciais
Como não houve mudança no cenário econômico, muitos produtores estão investindo em outras culturas para tentar recuperar o que foi perdido. "Nós estamos prevendo um desabastecimento do produto nos próximos dois anos. Os agricultores não querem mais plantar porque atualmente não é vantajoso", diz Ivo Pierin Junior. 

"As pessoas que não são profissionais, que foram atraídos apenas pelos preços altos, vão sair da atividade. Vão ficar apenas aqueles produtores que têm a mandioca como fonte de renda. Esses vão dar um jeito de continuar na produção", acrescenta Junior.

Alternativas
Para tentar melhorar a situação, o setor ainda espera a aprovação de um projeto de lei que torna obrigatório a adição do amido de mandioca na farinha de trigo. O projeto está tramitando na Câmara dos Deputados e ainda não tem previsão de quando será votado.

"Antes o projeto não foi discutido porque o preço da tonelada estava muito alto, e tornaria o projeto inviável. Porém, agora, com o preço bem abaixo do esperado, a nossa expectativa é que os deputados analisem e aprovem a medida", constata o presidente da Câmara Setorial da Mandioca.

Dados do Deral mostram que o Paraná deve produzir quatro milhões de toneladas da raiz este ano, deve ficar atrás apenas do Pará – maior produtor de mandioca do Brasil. Entretanto, o estado é o maior produtor da fécula da mandioca do país, a previsão é que a indústria paranaense processe 400 mil toneladas em 2015. Para se ter uma ideia, a estimativa brasileira de produção de fécula é de 600 mil toneladas para o ano.

Fonte: g1.globo.com/pr/norte-noroeste
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