quinta-feira, 17 de maio de 2018

“Não engula o choro”

Vídeo:

A campanha “Não engula o choro”, do Governo do Estado, atravessou os limites do Paraná e conquistou o engajamento de entidades sociais e integrantes da rede de proteção à criança e ao adolescente de outros estados. Personalidades artísticas e profissionais liberais, principalmente da área de psicologia, também têm contribuído para ampliar a divulgação.

A governadora Cida Borghetti destacou a importância da realização de campanhas periódicas de conscientização e sensibilização. “A disseminação da boa informação é essencial para combatermos casos de violências contra crianças e jovens, que infelizmente ainda existem. E o auxílio da sociedade é muito importante”, disse.

“A campanha já chegou em um patamar que é impossível dimensionar o número de pessoas sensibilizadas”, acrescenta a secretária estadual da Família e Desenvolvimento Social, Fernanda Richa. Segundo ela, a campanha lançada no dia primeiro deste mês está alcançando o objetivo de sensibilizar a sociedade para o problema da violência contra crianças e adolescentes.

‘VIRALIZOU’ – Pela internet, as duas animações que incentivam crianças a se expressarem e buscarem ajuda, quando algo está errado, já alcançaram mais de 1,3 milhão de visualizações e foram compartilhadas 21 mil vezes, nas suas duas primeiras semanas de divulgação. Uma única postagem em rede social recebeu mais de 1.600 comentários, e, em outra, mais de 35 mil curtidas. Em um canal da internet, específico para crianças, em três dias, foram 266 mil visualizações. Sem contar os compartilhamentos por aplicativo de mensagem.

“Estamos muito satisfeitos com a repercussão dos vídeos e com o engajamento de pessoas, que entenderam a mensagem e a gravidade da situação a que estão sujeitos os pequenos. Temos recebido solicitações de todo Brasil, para a utilização das peças da campanha. É exatamente esta ideia: atingir o maior número de pessoas possíveis, chamando a atenção para os sinais que nossos meninos e meninas dão quando estão em situação de risco”, disse a secretária.

PERSONALIDADES – O maior número de interações nas diversas redes sociais é da área de psicologia, tanto de entidades representativas de classe como individuais. Entre as personalidades artísticas que compartilharam e interagiram com as publicações estão a apresentadora Eliana, conhecida por comandar programas infantis. “Campanha sensível, relevante e que vale mostrar para nossos filhos”, comentou Eliana.

Fafá de Belém e a filha Mariana se emocionaram com as animações. “Chorei com essa campanha ‘Não engula o choro’ que incentiva crianças a colocarem pra fora o que estão sentindo e contarem se sofreram algum tipo de violência”, declarou Fafá. Luana Piovani, Hortência Maiari e Luiza Brunet também comentaram em suas redes sociais que ficaram tocadas com a mensagem e incentivaram seus seguidores a aderirem à campanha.

Canais de televisão, privados e públicos, estão veiculando gratuitamente os filmes. A TV Câmara, por exemplo, os exibirá nos próximos seis meses.

ESTRATÉGIA – Os vídeos foram pensados para falarem com as crianças, são coloridos, com música agradável e com linguagem simbólica para representar os perigos. “Diferente de outros trabalhos de sensibilização que realizamos, direcionados aos adultos, a estratégia dessa vez foi conversar com meninos e meninas. As animações, sensíveis e comoventes, são veiculadas em mídias sociais, algumas específicas para o público infantil”, afirmou Fernanda Richa.

A campanha estimula crianças e adolescentes que sofreram ou sofrem algum tipo de violência a não se calarem e buscarem alguém de confiança para desabafar. Para os adultos, foi produzida comunicação externa nos maiores municípios, em outdoors, mobiliário urbano e busdoor, com as imagens em ônibus do transporte coletivo.

DENÚNCIAS – Os agentes da rede de proteção, que inclui profissionais da assistência social, saúde, educação, conselho tutelar e segurança pública dos 399 municípios paranaenses, receberam cartilhas e cartazes que orientam como agir diante do problema que aflige a criança.

“É imprescindível sensibilizar família, professores e todos os agentes da rede de proteção”, disse a secretária. “Somente dessa forma tornaremos visíveis essas situações que comprometem o desenvolvimento de meninos e meninas”, acrescentou.

Um dos objetivos da campanha é reduzir a subnotificação e incentivar a população a denunciar esses crimes. Tem a parceria das secretarias estaduais da Saúde, da Educação e da Segurança Pública, que registra e encaminha denúncias de violações de direitos, no Paraná, pelo telefone 181.

A ação é feita em conjunto com o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescentes (Cedca), que determinou o uso do recurso do Fundo para Infância e Adolescência (FIA) para esse fim.

PERIGO - Para Leandro Meller, superintendente das Políticas de Garantias de Direitos, da Secretaria da Família, o desenvolvimento físico e intelectual está relacionado aos estímulos do ambiente experimentados na infância. “A violência é violação de direitos, em qualquer idade. E seja qual for o tipo poderá deixar marcas profundas na formação da criança, principalmente nos primeiros anos de vida”, disse Meller.

O presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança do Adolescente (Cedca), Alann Bento, enfatiza que as violências não escolhem classe social. “Não é possível afirmar que os abusos físicos, sexuais ou psicológicos ocorrem mais em famílias de baixo poder aquisitivo. Mas, independentemente da condição financeira, o sofrimento é o mesmo, assim como o mal causado ao desenvolvimento saudável da criança e do adolescente”, afirmou.

Conforme dados do Ministério da Saúde, as quatro principais formas de violência contra crianças e adolescentes são a negligência ou abandono; e violências física, psicológica ou moral e sexual. Levantamento das fichas de notificação pelos serviços de saúde, de 2010 a 2014, indicaram 35.479 casos. Desse total, 37,6% refere-se a negligência; 29,4% a violência física; 17,9% a psicológica; e 15,1% a sexual. A negligência responde pela maioria das notificações para crianças até 12 anos e, a partir de então até os 19 anos, é a violência física predomina.

DENÚNCIAS – Dados do disque-denúncia 181 informam que, de 2016 para 2017, o número de denúncias de violência contra crianças e adolescentes aumentou 37,6%, saltando de 843 para 1.166.

Os atendentes do telefone 181 encaminham as denúncias, de acordo com o caso e a urgência, para o Conselho Tutelar, a Polícia Militar ou outro órgão da rede de proteção. Por esse serviço, disponível em todo o Estado, o denunciante tem sua identidade preservada.

DIA DO ENFRENTAMENTO – O Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é nesta sexta-feira (18 de maio), o que faz com que esse seja o mês de enfrentamento a essas violações de direitos.

Fonte: AEN

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