quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Marido acusado de matar e assar a esposa na churrasqueira é condenado a 21 anos de prisão



O julgamento de Mauro Sampietri, acusado de matar e assar partes da esposa Claudete Bohme Sampietri na churrasqueira, terminou perto das 22 horas desta terça-feira (11), no Tribunal do Júri em Curitiba. Após dois dias de julgamento, Sampietri foi condenado a 21 anos e quatro meses de prisão pelo homícídio qualificado por duas circunstâncias: feminicídio e motivo torpe, além do crime de ocultação de cadáver. Ele saiu do Tribunal, de volta à prisão, dizendo ser inocente. “Continuo dizendo que sou inocente”, afirmou.

Quando o veredito foi anunciado pela Juíza Michele Stadler os familiares da vítima se emocionaram e choraram em meio a aplausos. Bastante abalados, os parentes de Claudete não quiseram gravar entrevista. Mas o resultado do júri trouxe uma sensação de alívio, como explicou o advogado da família de Claudete, o assistente de acusação, Alberto Milek.


“É uma sensação de alívio porque todos temiam pelas próprias vidas caso ele fosse solto. Todos tinham medidas protetivas contra ele pelo medo de acontecer com eles o que aconteceu com a mãe. Agora fica uma sensação de justiça”, afirmou o advogado.

O advogado ainda ressaltou que durante todo o processo e julgamento, Mauro mudou as versões e se mostrou uma pessoa fria e calculista. “Ele é muito frio, dissimulado, mudou as versões várias vezes, apresentou inúmeras contradições sempre visando se safar. Não demonstrou nenhum sentimento. Um homem frio e calculista”, disse.

A advogada Juliana Molina, também assistente de acusação, deixou o plenário sabendo que o trabalho realizado nesses dois anos foi cumprido. “É uma sensação de ver cumprido. Todos sabem que isso não traz a Claudete de volta, mas fica a sensação de justiça feita”, afirmou.

A defesa de Sampietri ainda não informou se vai ou não recorrer da sentença.

Prisão

Mauro Sampietri foi detido dois meses após a descoberta do corpo de Claudete. Ele chegou a ser liberado mais de uma vez, mas a Justiça voltou a decretar a prisão preventiva em março deste ano.

De acordo com a advogada, vários aspectos da vida de Mauro indicam que ele é uma pessoa capaz de cometer atrocidades. “Existe a suspeita de que ele teve envolvimento na morte dos pais em Campinas, em São Paulo, em 1997. O crime prescreveu, por ter acontecido há mais de 20 anos, e nada foi provado, mas os parentes têm certeza que foi ele. Além disso, o réu possui antecedentes por ameaça”, completou Juliana.

O crime

O cartaz de desaparecimento de Claudete foi divulgado no dia 18 de janeiro de 2017 pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Após três dias, em uma manhã de sábado, o corpo foi encontrado em um matagal. Quase dois meses depois, o Instituto Médico Legal (IML) confirmou a identidade da vítima, resultando na prisão de Mauro.

Casado há 30 anos, o casal tem três filhos juntos. Antes do desaparecimento, Claudete viajou para a cidade da família e falou sobre a intenção de se separar, o que não teria sido aceito pelo marido.

Partes do corpo de Claudete foram encontradas no dia 21 de janeiro de 2017 em um matagal no município de Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. O restante dos restos mortais da vítima continuam desaparecidos até hoje. Há suspeitas de que Mauro Sampietri teria queimado partes da então esposa na churrasqueira da casa da família. Tudo porque ele não aceitava a separação.

Entre as provas mais importantes do caso estão o exame de DNA realizado no corpo, que confirmou a identidade de Claudete, e outras evidências encontradas na residência onde o casal vivia, no bairro Cajuru, em Curitiba. “A perícia achou respingos de sangue humano na grelha e na faca de churrasco. Mauro alega que machucou a mão, mas nós não acreditamos que isso tenha acontecido”, comentou a advogada.

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