quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Morre Dom Albano Bortoletto Cavallin, segundo bispo da diocese de Guarapuava


Morreu, hoje, 01 de fevereiro, o segundo bispo da diocese de Guarapuava e bispo emérito da arquidiocese de Londrina, Dom Albano Bortoletto Cavallin. Ele tinha 86 e estava internado no Hospital Evangélico daquela cidade para realizar uma operação na válvula do coração. Dom Albano não resistiu e morreu no início da tarde de hoje.
Dom Albano foi o segundo Bispo a assumir a diocese de Guarapuava. Ele foi nomeado pelo Papa João Paulo II, no dia 14 de dezembro de 1986 quanto tomou posse na cidade.
Foi um momento de grande festa, segundo matérias de jornais da época. A posse de Dom Albano foi realizada na Paróquia Santa Terezinha, em Guarapuava e foi presidida por Dom Calo Furno, à época, Núncio Apostólico do Brasil.
Arcebispos e bispos de várias regiões do Brasil, bem como autoridades civis e militares participaram da cerimônia que, também de acordo com matéria jornalística da época, foi muito emocionante.
Antes de trabalhar em Guarapuava, Dom Albano trabalhou em Curitiba por 13 anos, exercendo as funções de bispo auxiliar daquela arquidiocese. Ele foi ordenado Bispo no dia 28 de agosto de 1973.
Em Guarapuava, Dom Albano trabalhou por seis anos, quando então, deixou a diocese e voltou para Curitiba por um curto período. Logo depois, ele foi nomeado arcebispo de Londrina, no Norte do Paraná.
Com foco na catequese e na evangelização, mesmo permanecendo pouco tempo em Guarapuava, Dom Albano conseguiu desempenhar um trabalho considerado por muitas pessoas como brilhante. Ele deixou um legado importante para a diocese que permanece até hoje.
Relatos de textos jornalísticos da época descrevem que “a Diocese de Guarapuava passou a ser conhecida no país inteiro depois da chegada de Dom Albano na cidade”.

EVANGELIZAÇÃO
Evangelizador e muito carismático com as pessoas, tendo posições firmes quanto à Justiça, o Direito, a Política e a Cidadania, o Bispo se envolveu em muitos conflitos, principalmente em questões agrárias que, naquela ocasião eram frequentes em todo o Brasil. “Dom Albano foi sempre um homem de posições firmes e um verdadeiro pregador da justiça. Em Guarapuava, acredito que ele chegou a ser mal compreendido em muitos momentos por se posicionar e defender de forma clara os mais pobres, as pessoas que sofriam. Dom Albano contribuiu de forma grandiosa para com a catequese, a evangelização e também para com a cidadania. Seu interesse pelo ser humano e a forma carismática com que tratava todas as pessoas, eram impressionantes. A diocese de Guarapuava deve muito a este homem que, mesmo tendo ficado pouco tempo à frente dos trabalhos pastorais, conseguiu fazer grande obras no campo da fé, da evangelização, das questões humanas”, recorda o Pároco da Comunidade Bom Jesus, Padre José de Paulo Bessa que conviveu com Dom Albano.
Quando da saída de Guarapuava, Dom Albano escreveu uma carta que publicou no Boletim Diocesano. O artigo era intitulado “Carta do adeus” reproduzido abaixo:

Carta do adeus
Durante 5 anos, através do Boletim Diocesano, escrevi mais de 200 cartas aos irmãos da Diocese de Guarapuava. No dia 14 de dezembro de 1986, não imaginava que para o dia 09 de maio de 1992, haveria de escrever certa carta de adeus. Foram 5 anos abençoados de convivência fraterna e amiga. Agradeço a Deus e aos irmãos às graças, à bondade, o carinho de tantos encontros, novos amigos, diálogos e bons exemplos que recebi.
De minha parte, posso dizer que procurei cumprir com a minha missão de Pastor da Diocese, com muita fé, esperança e amor.
Essa despedida nos faz pensar. Como é importante agir sempre com reta intenção. Pois quando menos esperamos, o Senhor nos chama, ou para lugares ou para a vida eterna.
Esta despedida nos faz pensar que todos somos necessários, mas só Deus é indispensável. Os italianos têm um provérbio consolador que diz: “Morre um Papa, faz-se outro”. É assim a vida. Só Deus é eterno e é o tudo de nossas vidas. E Cristo, de quem fui empregado durante 5 anos em Guarapuava, continua sempre ao nosso lado. Se tivesse que deixar recados, seriam estes:
–– Façam de Cristo o tudo de suas vidas e Ele os fará felizes.
–– Rezem, desde já, pelo novo Bispo e recebam-no com fé e carinho, pois, pensando bem, é Deus que está por trás de todos os acontecimentos.
Continuarei, sempre, rezando por vocês, pois como diz o poeta: “És eternamente responsável por aqueles que cativastes”.
O Irmão Bispo Albano

BIOGRAFIA DE DOM ALBANO

• Dom Albano Bortoletto Cavallin, filho de Pedro Cavallin e Celestina Bortoletto Cavalin, nasceu no dia 25 de abril de 1930 no município da Lapa, Paraná.
• Estudou no Seminário Menor de São José, em Curitiba e também, no Seminário Maior de Ipiranga, em São Paulo. Ao todo, foram treze anos de estudos, de 1940 a 1953.
• Foi ordenado sacerdote no dia 06 de dezembro de 1953.
• Recém-ordenado, exerceu suas funções na Catedral de Curitiba de 1954 a 1957.
• Foi Vice-Reitor do Seminário Maior de Curitiba em 1957.
• De 1958 a 1963, com intervalos para estudos, exerceu as funções de Pároco na Paróquia Santa Terezinha, em Curitiba.
• No Seminário Maior Rainha dos Apóstolos, também na Capital paranaense, foi Diretor Espiritual, permanecendo nesta atividade por dez anos, de 1963 a 1973.
• Fez curso de especialização em Roma entre os anos de 1960 e 1961. Também na Europa, estudou sobre Pastoral em Brugues, na Bélgica durante o ano de 1969.
• No dia 28 de agosto de 1973, é ordenado bispo.
• É escolhido membro da Comissão Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por dois períodos, compreendendo os anos de 1979 a 1986.
• Toma posse como segundo bispo da Diocese de Guarapuava no dia 14 de dezembro de 1986.
• É escolhido pela terceira vez para ocupar lugar junto à Comissão Pastoral da CNBB por um período de quatro anos, na dimensão Bíblico-Catequética, em 1991.
• Nomeado arcebispo de Londrina, no dia 11 de março de 1996, assume suas funções naquela arquidiocese no dia 09 de maio do mesmo ano.
• Em 2006, aos 75 anos de idade, apresentou renúncia de seu cargo conforme determinação do Direito Canônico da Igreja Católica.
• Como arcebispo emérito da arquidiocese de Londrina, ele continuou com seu trabalho pastoral e catequético. Recentemente, foi lançado um livro com sua biografia.
• Paranaense da Lapa, Dom Albano ordenou-se padre aos 24 anos, foi padre coadjuntor na Catedral de Curitiba e depois pároco na Igreja Santa Terezinha, na capital paranaense.
• Foi bispo Auxiliar em Curitiba, vivendo sempre no Seminário Maior Rainha dos Apóstolos. Transferido para a Diocese de Guarapuava, conforme contou, fez uma experiência de bispo missionário. Em Londrina, continuou cuidando da Formação do Clero, fundando o Seminário Propedêutico, o urso de Teologia na PUC e a instalação do Diaconato.

Fonte: Dio Puava

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